Minha histerectomia

24/09/19

Minha cirurgia foi realizada pelo plano de saúde IAMSPE no dia 16 de Setembro de 2019 em São Paulo. Como sou do interior paulista, precisei fazer algumas viagens até que estivesse tudo pronto para operar. Foram, ao todo, cinco idas para a capital, sendo: consulta com ginecologista, consulta com a equipe cirúrgica, consulta com a anestesista, retorno e, finalmente, a cirurgia.

Após operar, é necessário retornar em 45 dias. Ou seja, o tempo percorrido desde a procura até a finalização de todo o processo está sendo de 5 meses, bem mais rápido do que eu imaginei.

Como o plano cobriu a cirurgia, meus gastos foram com passagens de ônibus, Uber, 99 e Blablacar, totalizando R$ 1.000, alguns exames particulares, remédios, comida e créditos no celular, dando, ao todo, R$ 1.400. Sem contar que ainda preciso voltar mais uma vez em SP em Outubro.

Os exames exigidos foram ultrassom pélvico, raio-x do tórax, papanicolau, exame de sangue, eletrocardiograma e, por último, o laudo psicológico atualizado, mesmo eu tendo nome e gênero retificados.

Cuidados pré-operatórios

Dias antes de realizar a cirurgia, precisei tomar alguns remédios para limpar o intestino. Um deles chamado Secnidazol tirou meu paladar e me deixou com um gosto metálico na boca por uns dias, o que era normal e estava descrito na bula como um efeito colateral.

Precisei assinar um termo de consentimento alegando estar ciente de todos os riscos acarretados na cirurgia, inclusive autorizando cortes maiores na barriga em caso de complicações. Levei todos os meus exames para o centro cirúrgico juntamente com o termo assinado.

É preciso tirar anel, aliança, brincos e não pode molhar o cabelo e a barba no banho que antecede a cirurgia. A cabeça é o que mais demora pra secar e o corpo precisa estar totalmente seco para não haver choque. Caso molhe um dia antes, a cirurgia é adiada.

O jejum começou na noite de domingo, dia 15. Comi o lanche da tarde, o jantar e o lanche da noite. Era jejum absoluto (sem água também). Haviam me dito que a cirurgia seria a qualquer hora do dia seguinte e, por sorte, foi às sete da manhã! Assim não precisei passar longas horas acordado à espera e com fome.

A cirurgia levou 01h30, começando por volta das 07h00 de segunda. Tomei anestesia raqui e voltei pro quarto por volta das 13h00.

Cuidados pós-operatórios

Após operar na segunda-feira, dia 16, minha primeira refeição foi o café da manhã na terça-feira, dia 17. Ou seja, meu jejum pré e pós-operatório durou, ao todo, 36 horas! O maior recorde pessoal de tempo sem comer. Por ter sido tanto tempo, quando me sentei e tentei alcançar a bandeja, tive uma hipotensão, uma queda de pressão que me fez transpirar bastante em segundos, com tontura, coração acelerado e palidez. A médica me disse que isso poderia mesmo acontecer, já que é natural a perda de sangue na cirurgia.

No mesmo instante em que pude voltar a me alimentar, retiraram uma sonda que colocaram na minha bexiga para urinar. Fiquei com esta sonda por 24 horas me causando desconforto. Tomei alguns medicamentos pra dor na veia como dipirona e ibuprofeno.

A alta do Hospital foi dada no começo da tarde do dia seguinte. Porém, optei por permanecer mais um dia, por depender de outra pessoa para me buscar.

Internei no domingo, operei na segunda, tive alta na terça e fui embora na quarta!

Além de me receitarem remédios nos primeiros dias, os cuidados pós-operatórios que me passaram foram: lavar os pontos com água e sabão cinco vezes por dia, não levantar peso, não fazer esforço físico por aproximadamente um mês, não dirigir e não usar roupas apertadas, ficando de repouso por 15 dias.

Como no meu caso o colo do útero não foi retirado, fui instruído a realizar o exame preventivo de citologia (papanicolau) todos (ou quase todos) os anos, pois o colo do útero pode desenvolver câncer ou outras doenças futuramente. A decisão de não retirá-lo foi tomada pelo cirurgião no momento da cirurgia, devido ao risco de ocorrer uma hemorragia. Portanto, a minha histerectomia foi parcial.

O que muda depois de operar

É de extrema importância que após a retirada do útero e ovários NUNCA paremos de fazer terapia hormonal. Pois sem a nossa fonte natural de hormônios, o organismo precisa repor de algum lugar, no nosso caso, da testosterona sintética aplicada. Caso contrário, pode vir a ocorrer complicações com o tempo, como osteoporose e risco de infarto.

Depois de operar, não há mais necessidade de tomar diariamente Anastrozol, um bloqueador de estrogênio. 

Espero ter te ajudado até aqui!


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